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Obrigatoriedade de Exame toxicológico reprova mais de 50 motoristas em um mês, no ES

Resolução obrigada motoristas profissionais a fazerem o exame toxicológico.

Até o início de abril/2016, 604 motoristas realizaram coletas no estado do Espírito Santo.

 

No primeiro mês de aplicação da lei que exige a realização de exame toxicológico em motoristas de caminhão e ônibus, 54 condutores profissionais foram reprovados em testes médicos no Espírito Santo.
A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) entrou em vigor no dia 2 de março.
Até o dia 2 de abril, 604 motoristas das categorias C, D e E (CNH) haviam se submetido ao exame toxicológico para renovar a carteira ou adicionar categoria no estado. Destes, 54 foram barrados nos testes de aptidão física, que incluem exame toxicológico, de visão e respiratório.
A incidência de acidentes de trânsito envolvendo motoristas de caminhão ou ônibus que fizeram uso de algum tipo de droga é alta, segundo o Departamento de Trânsito do Espírito Santo.

“São condutores que querem trabalhar o máximo possível e acabam utilizando medicamentos ilícitos para melhorar o desempenho”, declarou o diretor de Habilitação e Veículos do Detran, José Eduardo de Souza.

A obrigatoriedade do exame toxicológico nas categorias C,D e E, pretende retirar das estradas estes motoristas, que colocam em risco a vida das pessoas.
“É uma exigência, não é opcional. O exame nos permite garantir que o motorista não está exercendo a profissão sob efeito de alguma substância que compromete o raciocínio e capacidade de reflexão”, declarou Souza.

Exame Toxicológico.

O exame toxicológico é realizado apenas quando o motorista vai renovar a CNH ou mudar para uma das categorias estabelecidas na lei. Ele consegue detectar substâncias como cocaína, crack, maconha, anfetamina e suas derivações dentro de 90 dias.

Caso o motorista seja reprovado, ele precisa esperar mais 90 dias para realizar um novo exame.
“A gente pensa que se o motorista foi flagrado usando uma vez, ele faz uso constante, mas a lei permite que ele repita o exame toxicológico depois de 90 dias.

Enquanto isso, ele vai estar com a CNH vencida e não pode dirigir. Se flagrado, vai pagar pela legislação”, disse o diretor.

Com a lei, a demanda das clínicas cadastradas para realizar o exame toxicológico aumentou consideravelmente.
De acordo com o sócio do laboratório Marcos Daniel, Ricardo Neander, o exame toxicológico demora em média 15 dias para ficar pronto.
“A demanda é frequente, os motoristas, principalmente os autônomos, estão procurando fazer. É um exame sério que só tem a contribuir para a segurança no trânsito”, disse Souza.

Motoristas

Os condutores profissionais capixabas confirmam que o uso de drogas é comum nas estradas. O motoristas de caminhão Carlos Alexandre Freitas, de 41 anos, acredita que a carga horária e a pressão das empresas incentivam o uso de drogas.

O motorista Carlos Alexandre já viu muitos colegas de trabalho usando drogas.
“Nunca usei, mas presencio colegas de trabalho usando o tempo todo. Eles querem ganhar comissão e chegar o mais rápido no destino de carga”, disse Alexandre.

O motorista Nivaldo Araújo está na estrada há mais de 40 anos e diz que já presenciou muitos acidentes em que o motorista tinha feito uso de drogas para cumprir a jornada de trabalho.
“É preciso fiscalizar e impedir que esses motoristas dirijam neste tipo de situação. É um risco para quem está na estrada. A lei 13.103 fará as pessoas mais responsáveis”, comentou Nivaldo.

Liminares

Segundo o pesquisador e coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, 10 estados têm usado liminares para que o exame não seja obrigatório.

As liminares estão sendo derrubadas diariamente pela Advocacia Geral da União.
“O problema destas liminares é que elas promovem a migração de motoristas nas fronteiras. Um motorista que faz uso de drogas vai sair do Espírito Santo e renovar a CNH na Bahia ou Minas Gerais, onde ele consegue a permissão sem passar pelo exame toxicológico. Esses Estados dão a possibilidade de continuar dirigindo um motorista que é usuário de drogas sendo assim um perigo para a sociedade como um todo. É uma licença para matar”, afirmou.

O diretor de Habilitação e Veículos, José Eduardo de Souza, confirmou que a migração dos motoristas é real, apesar de não conseguir estimar quantos têm feito isso desde que a lei entrou em vigor.
“Não temos como quantificar quantos motoristas estão fazendo isso, mas recebemos informações das próprias clínicas de que os condutores estão renovando a carteira fora do Espírito Santo por causa da lei. Infelizmente, só o exame não é suficiente para barrar essas pessoas, mas já é um grande passo.

Fonte:

G1 – GLOBO.COM